Um dilema comum em projetos de gestão da inovação é sobre quem deve “gerar idéias” ou “encontrar soluções”. Alguns consultores defendem que a empresa deve capturar tudo que for possível através de “programas de geração de idéias” e coisas similares. Alguns tratam da inovação como se viesse única e exclusivamente da área de P&D e assim vai.
A minha visão sobre o assunto é a seguinte. Idéias relacionadas a melhorias incrementais nos processos devem ser tratadas nas áreas onde são geradas. É obrigação do gerente melhorar continuamente sua área, processos, etc. Para mim isso é perfeitamente atendido pelas práticas de qualidade total, círculos de qualidade, etc. Treinar bem as pessoas em técnicas de solução de problemas é obrigação do gerente e o pessoal de “gestão da inovação” não deveria ficar se metendo nisso.
Já a inovação estratégica, relacionada a novos produtos, serviços, modelos de negócio, estratégias, etc, não deveria ser delegada a todo mundo da empresa. O esforço de ficar vasculhando milhares de idéias de todo mundo em busca de alguma eventual idéia “boa” não vale a pena. O que deve feito é definir grupos de pessoas, devidamente escolhidas, que serão orientadas a utilizar um MÉTODO SISTEMÁTICO (como o Innovatrix) de busca de oportunidades e criação de soluções para prototipagem. O restante da empresa pode ser envolvido posteriormente, e motivado, no desenvolvimento dos PROTÓTIPOS e posterior implementação dos PROJETOS (caso os protótipos venham a mostrar a viabilidade esperada pela empresa).
Neste último caso, o que deve ser incentivado nas pessoas que não participaram da criação das soluções é um clima de “vamos fazer estas inovações acontecerem” pois a empresa está apostando nelas. Todo mundo tem orgulho de trabalhar em coisas realmente relevantes na organização e que foram claramente definidas e incentivadas. Para isto é importante que a área de “comunicação corporativa” divulgue intensamente o que está acontecendo – conte as histórias.
Outro ponto importante. Uma vez criados as soluções para prototipagem, está aberta a porta para a “inovação aberta” (ou open innovation). É muito melhor saber pelo menos a direção do que queremos antes de procurar ajuda externa. Antes disso, a empresa acabará gastando energia envolvendo um monte de gente de fora da empresa para achar soluções para necessidades que ela não tem.





