Existe uma discussão muito grande em torno das definições de criatividade e inovação. Existem várias frases como “Pessoas inventam, empresas inovam”, “Inovação não é invenção”, etc. Outras mais acaloradas atacam a “Inovação sistemática” dizendo que a “criatividade não pode ser enquadrada em regras e sistemas”. Bem… cada um fala o que quer…
Mas eu acho que o que acontece mesmo é a confusão entre dois tipos de criatividade.
1) Criatividade artística
2) Criatividade técnica
Como toda classificação, certamente estes dois tipos de criatividade devem ter zonas de superposição. Mas para fins didáticos vamos imaginar esta superposição como pequena.
Quando falamos de criatividade artística, estamos falando da habilidade que os músicos, pintores, escritores, etc, têm quando estão produzindo uma obra de arte. Talvez ainda seja necessário bastante tempo para descobrirmos que a criatividade artística é enquadrável (trocadilho infame…) em processos e ferramentas. Apesar deste tipo de criatividade ser VITAL em alguns negócios como um produto a ser vendido ela não é primordial na gestão e resolução dos problemas do dia-a-dia das empresas. Por exemplo, para uma editora é vital que o Paulo Coelho e outros autores se mantenham criativos (artisticamente) e escrevam seus livros. Já a “criatividade” na produção de inovações para a produção e comercialização dos livros é do outro tipo.
Quando falamos de inovação empresarial, que nada mais é do que a geração de dinheiro novo (ou valor), como diz meu amigo Clemente Nobrega, a criatividade que importa é a tal “criatividade técnica”.
A criatividade técnica é aquela relacionada basicamente à capacidade de solucionar problemas técnicos de maneira diferente do usual (“Fora do usual” pode se aplicar ao contexto das pessoas que estão trabalhando naquele problema e não necessariamente em relação ao mercado).
Por exemplo, um engenheiro precisa de uma boa dose de “criatividade técnica” para desenhar uma peça de um veículo. Um administrador pode precisar ser bastante criativo para achar uma solução para o problema da queda de vendas no trimestre. O presidente de uma empresa pode precisar de criatividade técnica para desenhar uma nova estratégia de crescimento, um programador também pode ser bastante criativo ao desenvolver um novo algoritmo.
A boa notícia é que, diferentemente da “criatividade artística”, a “criatividade técnica” pode ser enquadrada dentro de ferramentas e processos. Foi o que começou a fazer o russo “Genrich Altshuller” na década de 40 criando a TRIZ (teoria da solução de problemas inventivos – eu já coloquei alguns links para vídeos dele aqui neste blog). A TRIZ é a base para uma disciplina mas abrangente chamada “Inovação Sistemática”.
O que eu prego (é quase um trabalho de evangelização mesmo) é que é VITAL que as emrpesas desenvolvam a “criatividade técnica” das suas pessoas. Isso se faz através de treinamento nas ferramentas de inovação sistemática. Não adianta as empresas quererem desenvolver criatividade técnica fazendo apenas exortação à “criatividade fora da caixa”, palestras motivicionais com gente chorando no palco, etc. É preciso ser prático, direto, pragmático, objetivo.
Já vi muita gente mudar de vida depois de aprender técnicas básicas para aprimorar sua “criatividade técnica”. Passam a ser vistas como mais inteligentes, produtivas, interessantes. Tudo graças ao aprendizado e aplicação de ferramentas simples.
Para inovar não precisa se gênio. Bastam processos, ferramentas e treinamento.





