A Computerworld publicou um um artigo chamado “Terceirização: 3 razões que dificultam a inovação”. Como tenho trabalhado com inovação na gestão de TI (como vocês podem verificar pelos últimos posts) fiquei muito curioso assim que vi o título. Só que o artigo é uma decepção. Poucas vezes discordo tanto de alguma coisa… Vejam abaixo alguns trechos (em azul) e minhas críticas (em preto).
Se não concorda comigo ou com o autor do artigo original, deixe seus comentários ou me mande um email.
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Um estudo conduzido pela consultoria Forrester Research, em 2009, descobriu que 38% dos usuários corporativos enxergam a inovação e as constantes melhorias como o principal ponto fraco dos provedores de serviços terceirizados. Na mesma pesquisa realizada no ano anterior, essa base era de 33%.
62% não acham que inovação é o principal pronto fraco dos provedores. Se eu fosse um deles provavelmente me preocuparia mais com estes 62% mesmo. É sempre uma questão de atender às medidas com que os clientes avaliam o atendimento às suas tarefas (como disse em posts passados). No entanto, os provedores devem ficar atentos a inovar na forma como atendem a estas medidas e tarefas. Não adianta ficar atirando para todo lado.
Outro ponto sempre presente nestas pesquisas é a falta de definição clara do que é inovação.
“Os clientes esperam mais dos provedores do que só uma redução de custos e um serviço confiável”, avalia o analista sênior da Forrester Chris Andrews. “Na maioria dos casos, eles querem que os fornecedores estejam alinhados com os negócios e isso implica em algum tipo de evolução nas competências dos provedores”, acrescenta.
Isto é óbvio e querer que os “fornecedores estejam alinhados com os negócios” é um chavão clássico do gerente de TI mediano. Como já disse, os clientes tem várias tarefas e outcomes que precisam ser atendidos. O problema é que a maioria do pessoal de TI é de TI. Não sabem capturar estas coisas com seus clientes e acabam acreditando que acordos de nível de serviço podem satisfazer totalmente os clientes.
Os principais provedores de serviços terceirizados reconhecem que a inovação é uma condição essencial à sobrevivência deles no mercado. “Nenhum dos fornecedores com quem eu falei está despreocupado com essa questão”
Com esta lavagem cerebral que vem acontecendo em torno da inovação, alguém sério poderia estar ??? Alguém que é mediano e em geral acompanha a massa falaria diferente ? Imagine um gerente de TI falando “Inovação ? Besteira !”. Gerentes de Ti adoram ficar na média. Adotar melhores práticas de mercado, procedimentos, etc… Os que não são assim são os que geralmente geram valor para suas empresas.
O analista ainda é enfático ao explicar que o problema está do lado do usuário. Segundo ele, as empresas erram na hora em que esperam a inovação por parte de um parceiro terceirizado.
Discordo totalmente. O problema está do lado do provedor de serviços. A obrigação é sempre do lado que recebe para ajudar alguém a realizar suas tarefas. Pior que isso. Não vejo relação nenhuma entre terceirização e inovação. Vejo todo dia excelentes casos em diversas empresas. Vejo a IBM, HP, etc inovando e ajudando muito seus clientes a inovarem…
Como forma de solucionar a questão, ele cita três erros principais que os departamentos de TI cometem na hora de cobrar que os provedores atuem de forma inovadora:
1. O cliente não sabe o que quer
Todos querem inovar, mas ninguém sabe o que é isso. Em conversas com um provedores de serviços de TI, Andrews descobriu que a maioria concordava que inovação estava ligada a algo que poderia ser algo novo e que tivesse um impacto direto no negócio, mas a escala e o escopo dessas iniciativas variava muito entre os profissionais.
Como falei acima, é uma questão de definir exatamente o que é inovação. Para mim inovação é fazer algo, que não se fazia antes para empresa, para gerar mais valor. A maioria está certa e escala e escopo não interessa.
Outra coisa, o cliente sempre sabe o que quer. Ele sabe suas tarefas e como mede se alguém as ajuda a realizá-las ou não.
Antes da recente crise internacional, firmar acordos voltados a TI verde era visto como inovação. Nos últimos anos, contudo, o foco mudou para corte de custos, preservar o fluxo de caixa ou aumentar a eficiência. Nos próximos anos, isso pode migrar para cloud computing e computação social.
Que mistura !!!! No fundo tudo não é feito para criar valor para os clientes ? Ou é TI por TI ? Independentemente disso, esta mudança de foco é totalmente esperada. As tarefas prioritárias mudam com o tempo. O foco da inovação sempre vai mudar.
Se a companhia que contrata o serviço terceirizado não define a inovação dentro de sua própria realidade, o provedor não vai conseguir suprir seu desejo. “Não penso que muitos [clientes] saibam o que estão procurando”, diz Andrews. Ele aconselha que as organizações sejam claras com seus fornecedores. Uma boa forma é começar avaliando o que inovação representa para os diversos stakeholders (executivos, líderes de negócio, desenvolvedores de produtos, equipes de marketing, entre outros).
A linguagem precisa ser definida claramente. Se o fornecedor se oferece para fazer isso deve definir este protocolo e ajudar o cliente em suas tarefas e medidas. Existe método para isso. É isso que tenho mostrado nos meus clientes.
Se mesmo assim ficar difícil desenhar o que é inovação, o especialista indica que a empresa busque o apoio do fornecedor. Muitos deles já têm ideias claras, por conta de projetos realizados para outros clientes.
Ué ? Se o fornecedor sabe, porque não ajuda naturalmente o cliente ? O cliente precisa pedir ???
2. A organização escolhe o fornecedor errado
Uma empresa de body shop nunca poderá ser inovadora. “Se o cliente escolheu um provedor de serviços só para economizar custos, não tem qualquer justificativa para pedir que o fornecedor entregue algo muito inovador”, ressalta Andrews, que acrescenta: “Isso é uma grande reclamação dos provedores. Eles dizem que podem inovar, mas os clientes não querem pagar mais por isso. Corte de custos e inovação até podem coexistir, mas isso não representa algo fácil.”
Inovação de verdade não é fácil. Envolve resolver contradições, inércia psicológica, esforço, suor…
Por outro lado, o material de marketing dos fornecedores faz questão de ressaltar a habilidade para inovar, mas uma análise mais apurada vai revelar que o discurso está diretamente ligado ao que eles já oferecem de forma tradicional. Mas o analista da Forrester ressalta que isso dificilmente atende às demandas das organizações.
Mas não era para buscar apoio no fornecedor ??? Veja alguns parágrafos acima…
O mais importante, analisa Andrews, é olhar para um fornecedor que esteja entusiasmado com os desafios da inovação.
Como falamos no livro Innovatrix, inovação não tem nada a ver com olhares nem entusiasmo. Tem a ver com resultado.
3. Falta de métricas específicas
A inovação na terceirização de TI varia de cliente para cliente. O mesmo vale para as métricas. Os clientes precisam definir seus objetivos individuais e ligar isso a acordos de nível de serviço nos contratos.
Lá vem os ANS… Uma das maiores fontes de inércia psicológica no mundo da TI…
Isso é mais fácil de falar do que de fazer. Provedores estão começando a se movimentar além das métricas tradicionais, que são fáceis de avaliar – e entregar – para padrões mais complexos. Mas a transição está acontecendo de forma mais lenta do que se espera, aponta o especialista da Forrester.
Acabei de falar isso. Os provedores estão acostumados com as métricas deles, não as do cliente. Mais uma vez, a culpa de não haver inovação é do fornecedor e não do cliente. Também não acho que os indicadores precisam ser mais complexos. Tornar algo mais complexo não o torna melhor.
“Os clientes entenderam que uma variedade de fatores internos e externos poderia impactar as métricas de negócio – não só o trabalho dos provedores de serviços – e eles estão hesitantes para colocar isso em contrato”, pontua Andrews.
Vixe. Agora a culpa é dos clientes de novo… E por que eles não colocariam isso nos contratos ?
Espero que o Andrews não fique chateado comigo. Mas gostaria de participar de uma mesa de debate com ele.
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