Motivação x inércia – Um caso real (em andamento)

by arlima on 11 de agosto de 2010

Recentemente postei neste blog alguns comentários sobre um livro do Daniel Pink chamado Drive (em português é “motivação 3.0″) e um outro livro chamado “Desafiando o Talento” do Geoff Colvin. Motivado pelas ideias deles comentei com um amigo, gerente de TI, de uma grande empresa nacional, sobre a necessidade de dar um tempo de qualidade para as pessoas pensarem e proporem soluções para resolver problemas ou explorar oportunidades.

Meu amigo realmente estava preocupado com a motivação e capacidade de inovação da equipe e resolveu colocar em prática o seguinte: Ele daria um período (manhã ou tarde) para todos os membros da sua equipe, para que eles fossem para qualquer lugar (sala, café, shopping) para pensar e propor soluções para problemas existentes, novas coisas que poderiam fazer, estudar novas tecnologias e processos, etc.

Vejam que isso é um grande investimento dele e da empresa. Um período livre representa 10% do tempo de uma semana.

Isso já faz cerca de 1 mês. Hoje conversei com ele novamente para ver como andava a iniciativa. E tive uma grande surpresa. Não deu certo. Assim como o Daniel Pink fala no seu livro, muita gente se recusa a ocupar este tempo livre com atividades que elas mesmas tenham que escolher !!! Os funcionários dele simplesmente se recusaram a utilizar o período livre para pensar. Eles querem ficar nos seus lugares de sempre, resolvendo os problemas que aparecem no dia-a-dia.

Interessante notar que este tempo “livre” não prejudicaria em nada o desempenho nas outras atividades. Ficar um tempo fora não deixaria mais trabalho acumulado. Muito pelo contrário. A expectativa era que as soluções ajudassem a reduzir retrabalho, problemas, etc.

Acredito que o principal elemento nessa situação é que a maioria das pessoas realmente não está treinada ou acostumada a fazer coisas que não foram impostas pelos outros. Será que temos realmente uma separação entre quem manda e quem faz ? Será que somos estimulados desde a pré-escola a fazer o dever de casa que o professor mandou no lugar de criarmos nossos próprios deveres de casa ?

Será que meu amigo agora vai ter que obrigar as pessoas a saírem para pensar e apresentar o que pensaram ? Colocar na meta deles ?

O que você acha ? Deixe seus comentários !

  • Celso Filho

    Caro Adriano,

    É complicado! Creio que um dos mais produtivos investimentos que a liderança pode fazer é "CONHECER/ENTENDER (OU SABER QUEM SÃO) OS SEUS COLABORADORES" para, somente depois disso, tomar decisões a respeito de desempenho e trabalho de equipe. Uma cultura de criatividade não se forma de um dia para outro. Precisa muito trabalho e conversa séria, explicando, inclusive, onde estarão os benefícios de tais comportamentos. Nem sempre é possível ou recomendável. FEITA A DEVIDA CONTEXTUALIZAÇÃO, talvez a leitura do livro A CABEÇA DE STEVE JOBS, de Leander Kahney, ofereça insights aos líderes. Eu recomendaria também, o excelente "EMPRESAS DE SUCESSO…PESSOAS INFELIZES?", do seu parceiro de grande conteúdo, Clemente Nóbrega, especialmente os trechos onde fala sobre o comportamento dos humanos, Kahneman e Tversky, etc.

    Não creio que seja problema de estabelecer metas. É questão de saber, assumir e se engajar naquilo que agrega valor para a empresa e gera resultado. Se os colaboradores não entendem isso, corra com eles e contrate outros, desta vez com mais atenção.

    Abração.

  • http://www.projetogp.wordpress.com Mario Henrique Trent

    Adriano,

    concordo com Celso no comentário acima.

    Neste mesmo livro sobre Steve Jobs, ele substituiu muitos funcionários da Apple para torná-la novamente uma empresa inovadora.

    Acho que inovação exige liderança sim, como seu amigo tentou fazer. Mas, por ser algo que depende muitíssimo de pessoas, necessitamos das pessoas certas. É mais ou menos como Tom Peters diz que os projetos de sucesso tem como base objetivos corretos e pessoas capazes e motivadas… pode ser que a tentativa do seu amigo de fazer seus empregados pensarem seja como tentar colocar patos numa escola para águias, parafraseando um artigo que li recentemente na HSM.

    Ainda sobre o comentário do Celso, quando for contratar outros colaboradores, tenhamos mais atenção para as necessidades da empresa. Muitas vezes se exigem diversos títulos e cursos que não são importantes para o cargo, por outro lado não são feitos testes nem perguntas relacionados com as funções e responsabilidades do trabalho…

    Acabei de ler o Innovatrix. Muito bom livro.

    Abraços,

  • Marcelo

    Oie Adriano,

    Muito interessante este post.

    Acredito primeiramente que o sucesso da iniciativa do período livre depende do perfil do time. As pessoas que são mais "mão na massa" geralmente não estão acostumadas a imaginar cenários e soluções, elas fazem! Por outro lado, me parece que esta iniciativa cairia muito bem para as pessoas mais reflexivas e pessoas que costumam tomar decisões de maior nível. Um período livre, sem receber demandas pontuais ou ser interropido por ninguém seria uma benção!

    Não sei o perfil do time liderado pelo seu amigo da história. Mas fiquei curioso para saber qual seria o resultado caso o mesmo "experimento" fosse realizado com os diretores desta mesma empresa… quem eu espero que tenham costume de pensar… será? :-)

    Em relação à impor uma meta. Sim, acredito que seja importante. O seu amigo poderia "dar mais uma chance" aos funcionários e desta vez definir temas específicos. Quem sabe não dá mais certo?

    Abs,

    Marcelo Mirisola

    • http://www.arlima.com.br Adriano R. de Lima

      O perfil da equipe é operacional. Ele continua trabalhando os funcionários para fazer com que eles possam pensar em soluções fora da rotina atual deles. Mas o que eles querem mesmo é continuar fazendo o de sempre (concorda que é bem mais confortável ficar onde está não é ?).

      Abraço
      Adriano

  • Ferdinand

    Adriano
    Na epoca deste post não tinha aparecido a palestra do Jason Fried- why work doesn’t happen at work.
    Certamente teriam todos entrado em um “modo ” diferente considerando a palestra. Claro que depende das pessoas e do tipo de atividade. E como apontado, de um treinamento da equipe.
    Agora, “treinamento” para valer, com profissionais top de linha no assunto.
    Em treinamento tenho visto uma situação hilária. Mandam 1 colaborador para o treinamento, ao qual é exigida apenas a presença. Depois acham que o treinamento difunde por osmose na equipe!
    Não é à toa que os outros chamam o treinando de TURISTA.

  • Ferdinand

    Ah!
    Lebmrei de outro aspecto desta questão.
    Pelas biografias que andei lendo ( Gauss, Newton, Maxwell, Hilbert,Boltzman, Einstein…) todos saíam para a caminhada, em grupo com seus “peers”, ou sós. Esta caminhada era um ritual, geralmente à tarde, que eles cumpriam quase que religiosamente.
    Era a hora de deixar o pensamento divagar, fluir.
    Não que conseguíssem uma descoberta por kilômetro andado, mas que muita inspiração do trabalho acontecia ali.

    Quando teu amigo reportou “que não deu certo” ele pode ter apenas usado uma colocação ,digamos, “política”.
    A questão largada do jeito que ficou pode induzir outros a nem considerarem este “approach”.
    Simplesmente fechamos uma porta, quando outras organizações estão lucrando com o processo.
    Assim perdemos competitividade.

    • http://www.arlima.com.br arlima

      Interessante. Recentemente vi em algum lugar que uma boa terapia para casais é fazer caminhadas juntos…

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