Voyeur

Abaixo a noção voyeurista de inovação !

by arlima on 16 de agosto de 2010

Tendemos a só valorizar inovações tipo “produto revolucionário”, mas isso é coisa para poucos e é raro. Por agirmos assim, desprezamos (por serem menos charmosas) outros tipos de inovação que podem gerar dinheiro novo para muitos.

En passant: mesmo o sucesso de um “produto genial” como o iPod não veio da genialidade do produto em si. Veio, como vamos ver, do modelo de negócios do qual esse produto é o epicentro. Sem o arranjo que está em volta, o iPod seria apenas mais um. Aliás, inovação em modelo de negócios é uma tremenda forma de inovação. O INNOVATRIX traz contribuições importantes nisso.

Voltando: o problema com a “visão épica” de inovação é que ela não serve a propósito prático algum.

Somos românticos. Adoramos aquela imagem de inventores hiper-criativos trabalhando em garagens ou laboratórios, isolados do mundo e produzindo artefatos (o PC) ou conceitos de negócio (Google) geniais. Pensamos (erradamente) que indústrias como a farmacêutica, que vivem da criação contínua de novos produtos, são confrarias de cientistas malucos em laboratórios, tentando produzir novidades a seu bel prazer e criando “Viagras” e “Prozacs” graças a algum talento “especial”.

Esqueça esse negócio de inovação romântica, garagens etc.. É charmoso, mas não vai levar você a lugar nenhum.

Inovação é um processo que pode ser sistematizado.

Para ter valor, inovação tem que ser sistematizada. Tem que ser um processo.

A noção voyeurista de inovação – algo a ser admirado em outros e não a ser praticado por nós – é terrivelmente prejudicial.

Não é isso que devia nos seduzir. Tornar-se empreendedor de sucesso já não é para todo mundo, ser inovador daqueles “que -inventa – um – produto – genial – que – o – mundo – inteiro – corre – para – comprar” é para menos gente ainda.

Provavelmente não é para você amigo.

Não se ofenda, mas se você está lendo este blog, é provável que não seja genial o suficiente. Se você fosse genial para, digamos, inventar um remédio que transformasse carecas em cabeludos em 24 horas, não estaria perdendo seu tempo comigo. Estaria em sua garagem (transformada em laboratório) cercado por tubos de ensaio, envolto em densas névoas de criatividade, produzindo amostras de sua invenção e imaginando os milhões que iria ganhar.

Não é nada pessoal contra você. É estatística.

A pessoa média é média, não genial. O pintor médio não é VanGogh, é médio. O cientista médio não é Einstein, é médio. Steve Jobs não é representativo do “inovador médio”.

É claro que em qualquer população grande há os “fora da média”.

Numa grande população de compradores de bilhetes de loteria, é certo que alguém vai ganhar, só que provavelmente não vai ser você.

Não queremos desmotivá-lo, mas é muito mais inteligente aceitar que não somos gênios, e tirar partido disso. A vantagem é que, ao fazê-lo, a gente se coloca numa posição ótima para o que realmente conta neste nosso contexto: gerar bastante dinheiro novo. Inovar sem ser gênio!

(adaptado de Innovatrix – Inovação para não gênios)

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