Inovação está na moda. Existem inúmeras definições, explicações, etc. Isto é bom porque cria opções, gera conhecimento, etc. No entanto, tem muita gente acabou perdida neste oceano…
As empresas gastam um tempão (inútil) pensando se querem inovações disruptivas ou incrementais, brigando para classificar coisas como melhorias ou como inovações. Pura perda de tempo. No lugar de focar no resultado acabam se perdendo em muito ao detalhamento burocrático do processo.
Como já falei em um post recente, inovação é geração de valor novo. Se a empresa se depara com uma solução que vai gerar (ou gerou) valor de uma forma que ela não fazia antes ela está frente a uma inovação. Simples assim.
Mas algumas definições são importantes para que se possa definir uma estratégia de inovação alinhada à estratégia da organização. Por exemplo, acabamos precisando responder à questão: “Que tipo de inovações precisam ser incentivadas.” (obs, responder que são TODAS, está errado).
Minha sugestão é trabalhar entendendo bem e acertando a régua em relação a 2 conceitos: “o foco” e “o novo”.
Vou falar primeiro do foco. O foco pode ser basicamente de quatro tipos (baseados nas definições do Gary Hamel, mas ajustadas por mim):
- Inovação na gestão – como organizar os recursos da empresa
- Inovação no modelo de negócios – como vamos vender
- Inovação nas ofertas (produto, serviços, etc) – o que vamos vender
- Inovação na operação – como vamos trabalhar
Ou seja, dada a estratégia que a empresa definiu, que tipos de inovações devem ser incentivadas ? Na oferta ? Na operação ? em 2 delas ? em todas ? Fica bem fácil. Você decide em termos mais claros.
Uma vez definido o foco, precisamos nos perguntar o que entendemos como “novo” na estratégia de inovação. Sugiro usar 4 ou 5 níveis com0 os que estão abaixo.
- Novo para uma área/departamento/unidade
- Novo para a empresa
- Novo no setor que a empresa atua
- Novo no mercado
Você decide o grau de novidade que quer baseado na estratégia da empresa.
Agora a estratégia está ficando bem mais clara. Suponha que definimos que o foco seria “Inovação nas ofertas” e que queremos incentivar aquelas “novas para o mercado”. A linguagem está bem mais precisa e fácil sem precisar falar de disrupções, etc.
Para encerrar, uma última consideração. Como criar um processo para aprovar as iniciativas/ideias/soluções ? Minha sugestão é olhar apenas o custo deles (você pode expandir o conceito de custo para incluir risco, exposição, etc se desejar). Esta definição pode ser mais polêmica. Por que considerar o custo e não o retorno / Por uma questão prática. Quase em todas as empresas o problema é a liberar dinheiro e não ganhar mais dinheiro. Por exemplo, se você precisa de R$ 50,00 para dar um retorno de R$ 1.000.000,00, com quem tem que falar para implantar a inovação ? Agora, se você precisa de R$ 1.000.000,00 para dar um retorno de R$ 2.000.000,00 ? Provavelmente com Deus e o mundo.
Portanto, a regra prática aqui é a seguinte. Defina alçadas para o custo da iniciativa (os valores abaixo são apenas exemplos).
- Custo entre R$ 0 e R$ 5000,00 (por exemplo) : Aprovação pelo chefe imediato
- Custo entre R$ 5001,00 e R$ 10000,00: Aprovação pelo gerente
- Custo entre R$ 10.000,00 e R$ 50.000,00: Aprovação pelo diretor
- Custo acima de R$ 50.000,00: Presidente
E depois cobre de cada nível os resultados.
Entenderam como fica tudo mais fácil ? Defini-se uma estratégia de inovação (foco e grau de novidade) e depois defini-se como se liberam os recursos para as coisas serem aprovadas na empresa.
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